Sea of Thieves: uma obra de arte vazia

Sea of Thieves, exclusivo da Microsoft e produzido pela Rare, está completando sua primeira semana no mercado. Com uma proposta desafiadora, o game passou por diversos alphas e betas, conquistando jogadores pelos sete mares e criando uma comunidade sólida antes mesmo de seu lançamento oficial. Disponível através do Xbox Game Pass, o título quebrou recordes de vendas, acessos simultâneos e visualizações na Twitch. A ideia do jogo é permitir que amigos se juntem para caçar tesouros, pilhar navios inimigos e enfrentar criaturas assustadoras - mas como nem tudo o que reluz é ouro, acaba deixando a desejar em muitos aspectos.

Ahooy Captain!

Uma aventura de tirar o fôlego

Sea of Thieves começa sem nenhum tutorial, dando liberdade para que o jogador explore e conheça todas as possibilidades que a aventura oferece sozinho. Afinal, são dezenas de ilhas, histórias, enigmas, tesouros e inimigos espalhados pelo oceano. A tela principal do jogo traz pouca poluição visual e nenhum mapa em tempo real é mostrado, o que aprimora muito a experiência dos marujos. Em SoT, o objetivo principal gira em torno das ordens de serviços, missões oferecidas através de facções que esperam seu trabalho valioso. O jogador tem a opção de realiza-las sozinho ou chamar parceiros piratas para se juntar ao navio.

Uma bússola e a direção do vento. É tudo isso que você precisa na sua tela.

Desenvolvendo na versão mais recente da Unreal Engine 4, a Rare trouxe gráficos belíssimos para o game - com destaque para os efeitos de iluminação e simulação de líquidos . É muito fácil perder várias horas apenas contemplando o mar e o horizonte, que, sem as texturas cartoon, poderiam ser facilmente confundidos com uma imagem real. Águas volumétricas, simétricas, e que balançam o barco o tempo inteiro: um verdadeiro espetáculo visual para ninguém botar defeito. Mesmo com a aparência incrível, o título é bem otimizado e roda no PC e Xbox One tranquilamente.

Gráficos estonteantes aproveitam o máximo da Unreal Engine 4

Em quesitos de gameplay, temos a opção de navegar em dois tipos de embarcação: O corvete e o galeão. O primeiro é pensado para jogar sozinho ou em dupla, pois é facilmente manobrável mas peca em poder de fogo e resistência. O segundo é grande, com capacidade para 3 ou 4 pessoas, alto poder de fogo e resistência aprimorada. No entanto, é lento, e praticamente impossível de operar caso não haja cooperação. Vale ressaltar que este elemento é fundamental, já que, até o momento, não existe nenhum NPC navegando pelo mundo de Sea of Thieves. Todos que você encontra, amigo ou inimigo, são players reais e com intenções reais.

Pilhe pilhe e pilhe de novo. Afinal, você é um pirata.

Existem 3 grandes facções que vão te oferecer missões em troca de dinheiro e reputação. A primeira delas é a Aliança dos Mercadores, onde você fará entregas em outposts com suprimentos encontrados em ilhas, como animais ou recursos. Também existem os Acumuladores de Ouro, que é o preferido e mais autêntico da experiência pirata, pois eles te pedem para caçar tesouros através dos icônicos "X" no mapa ou desenrolando enigmas mais complexos. Por último, temos a Ordem das Almas, que é uma seita mistica que quer recuperar a cabeça de alguns antigos capitães mortos. Todas essas taferas são executadas através de uma jogatina completamente arcade, cheias de espadas, bacamartes, pistolas, snipers e itens essenciais como bússola, luneta, relógio e mapa. Ocasionalmente você pode conseguir dinheiro e progressão achando algum navio naufragado por aí, saqueando as mercadorias e itens de outros players ou simplesmente trombando com alguma coisa perdida nas ilhas. Só cuidado para não cair no mar desprevenido: existem tubarões aos montes!

Junto com sua tripulação, afundar navios será a rotina de sua embarcação.
Para os que irão se dedicar ao game integralmente, existe uma recompensa máxima: ao atingir level 50 nos 3 clãs, você é apresentado a quest de Pirata Lendário, que lhe permite realizar viagens diferentes, desbloquear cosméticos, títulos e até um novo esconderijo exclusivo. Não é de se espantar que tenha tanta gente jogando dia e noite para ser conhecido e temido por onde quer que vá. Eu mesmo estou tentando.

Conectividade problemática

Até agora tudo pareceu perfeito, mas, infelizmente, existem muitas coisas que podem matar precocemente o jogo da Rare. Uma das principais é o fantasma que assombra qualquer game multiplayer: a conexão. Logo quando lançado, SoT enfrentou uma demanda enorme de acessos a seus servidores, o que causou quedas, engasgos, e manutenção emergencial. Normal para primeiro dia de jogo, não? Seria, se não tivessem sido feito s vários Scale Tests para testar e estressar os servidores. Aparentemente isso foi em vão. 

Outro problema, é que estão se multiplicando os casos em que níveis de progressão e moedas demoram para serem atualizados ou, em algumas ocasiões, nem mesmo passam pela sincronização. Já ocorreu por exemplo, de uma queda no servidor comprometer tudo o que você pegou no seu navio, simplesmente sumindo com horas e horas de jogo.

Erros assim são costumeiros atualmente.


Até então, patchs e manutenções vem pouco a pouco tentando concertar a conexão. Porém, um outro problema assola a comunidade fora dos Estados Unidos: PING. Infelizmente, os servidores da Rare para o Game estão localizados somente na região Norte-americana. Em nosso país, apesar de existirem servidores da plataforma Azure em São Paulo, os mesmos não foram ativados e obrigam os jogadores a viver com o PING nas alturas. Em batalhas que requerem calculo de trajetória balística e timming perfeito para bloqueio de espadas, por exemplo, isso significa morte certa para os piratas do Brasil e de outros países fora dos EUA.

Conteúdo superficial

Todo o oceano de possibilidades e afazeres que temos atualmente parece bem balanceado, mas incrivelmente monótono e vazio. Somos piratas, e queremos afundar outros navios, saquear tesouros, ficar ricos, para depois... comprar roupinhas? O jogo faz com que a progressão das aventuras se limite ao mais simples: lutamos e lutamos para desbloquear cosméticos, adquiri-los e só. 

Este problema seria suportável, se as opções cosméticas não fossem tão limitadas. O avatar só possui 4 estilos de vestimenta, poucos títulos estão disponíveis, a única opção para as armas é trocar entre cores pobres e as mudanças no navio tem um preço desproporcionalmente alto. Ao que tudo indica, vai chegar uma hora que todo Navio que você cruzar será um Dejavú de outro. 

O evento do Forte dos esqueletos é atualmente uma das poucas coisas interessantes do Game.

Não bastasse as recompensas não valerem a jornada, muitas coisas com as quais o jogador interage parece que estão inacabadas. No geral e ao todo, o game conta com menos de meia-dúzia de animais e alguns punhados de caveiras diferentes. Além disso, a ausência de NPCs transforma as ilhas em pedaços de terra completamente abandonados. Não existem eventos, desafios ou alguma coisa aleatória interessante e o jogo se torna repetitivo rapidamente. A progressão é bastante lenta e confusa, pois você vai evoluindo nas facções, na promessa de ir atrás de tesouros de piratas "famosos", mas acaba desenterrando a mesma coisa que um zé ninguém deixou por aí. Falta a maior sensação que um pirata espera: a de recompensa.

Com temática e aparência impecáveis, Sea of Thieves carrega uma proposta muito interessante. A necessidade de cooperar com a tripulação para tudo dar certo deixa a experiência única e muito cativante. Contudo, falta conteúdo para manter a comunidade ativa, buscando tesouros, naufragando inimigos e se divertindo pelos sete mares à longo prazo.

Sea of Thieves está disponível através da Microsoft Store ou via Xbox Game Pass.


Sea of Thieves: uma obra de arte vazia Sea of Thieves: uma obra de arte vazia Reviewed by Vinicius Maciel on 15:53:00 Rating: 5

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.