A indústria de games já desponta a alguns anos o topo de maior movimentação financeira no ramo do entretenimento, com grandes franquias que possuem orçamentos que ultrapassam os blockbusters, inclusive, nas vendas. Uma boa parte desse sucesso é fruto do avanço e agressividade de gigantescas campanhas publicitárias em torno de títulos que são feitas mil promessas e premissas, que criam uma áurea de espera e ansiedade. É o velho sentimendo de "este produto será uma maravilha". Este esquema já ceifou jogos que não são ruins, mas não são aquilo que as empresas pretendiam entregar. Iremos abordar neste especial um dos maiores problemas da atualidade, que ronda jogos Triple A, e até alguns games independentes com produtores megalomaníacos : O hype.
Se você acompanha o mundo dos jogos, já deve ter visto algum título que era centro das atenções, envolvido por uma euforia e expectativa sob seu lançamento. É algo normal, afinal, uma grande publicidade e espera irá gerá enormes vendas. Você deve ter visto também, que alguns acabaram esquecidos e execrados, por quê foram um completo bait (uma armadilha, uma isca disfarçada de algo bom). Independente se são bons ou não, o KOMBO+ separou 5 games que foram consumidos pelo hype:
1. Watch Dogs
Este é um clássico. O jogo de mundo aberto desenvolvido pela Ubisoft, viria para "esmagar" GTA V, e até então, em seus materiais promocionais apresentados na E3 2012 e 2013, isso se concretizaria com gráficos exuberantes, ação realista e uma cidade viva com cidadãos únicos. O jogo recebeu um adiamento para o inicio de 2014, e logo antes de seu lançamento, quando um trailer especial foi lançado, as diferenças em comparação ao primeiro vídeo de propaganda ficaram claras, e evidenciaram principalmente um downgrade gráfico bem forte. Watch dogs foi lançado em maio de 2014 e GTA V reina até hoje.
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| Na E3 2012, as apresentações de Watch Dogs já lhe rendia prêmios. |
Gráficos da geração passada, física dos veículos praticamente inexistente, bugs, enredo meia-boca, e um cenário pequeno, foi tudo que GTA V era infinitas vezes superior. O game, apesar da imensa raiva dos fãs, foi bem avaliado, recebendo notas altas no Metacritic e no GameRanking, com uma média de 80/100 - pois quando não se compara com o carro-chefe da Rockstar, Watch Dogs não é ruim. A cidade é realmente bem viva, com seus cidadãos possuindo nome e sobrenome, hobby, emprego, salário, e curiosidades, além de ser possível escutar conversas telefônicas dos mesmos. O sistema de hacking, que permite bagunçar desde os celulares das pessoas, até todo o sistema eletrônico da cidade, é algo muito divertido e interessante, principalmente quando feito no modo multiplayer. Mods permitem reavivar os gráficos, inclusive, usando arquivos próprios da pasta de instalação do game. Temos aqui um bom jogo, ofuscado pela tentativa de se comparar e superar um rival já glorificado.
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| Bem diferente das imagens da E3, o jogo final era muito mais simplório |
2. No Man's Sky
Entrando na categoria de jogos independentes com produtores megalomaníacos, temos o simulador de exploração espacial da Hello Games, este foi extremamente aguardado por causa de sua premissa que beirava á loucura: explorar um universo com quintilhões de planetas, todos com fauna, flora, e geografia gerados de maneira procedural, para que nunca se encontre algo repetido ou igual. Incrível, não? Teve gente que deixou de se matar, pois essa possibilidade de navegação espacial ainda fazia a vida valer a pena (sério, esse e outros tweets insanos eram comuns na época de desenvolvimento de NMS). A promessa era ainda mais louca por que a equipe era composta de poucos engenheiros e programadores. Após alguns anos no forno, o jogo foi lançado em agosto de 2016 com uma explosão de vendas. Mas então, a verdade veio a tona.
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| Fazendo referência a Jurassic Park, muita gente sonhava em encontrar dinossauros incríveis |
Gráficos ruins (mesmo para a temática cartoon), com problemas sérios de renderização e o que mais entristeceu a todos: o sistema procedural criava animais bizarros e planetas repetitivos muito pouco interessantes. Tudo isso somado a ausência de um multiplayer para explorar com os amigos, serviu para que rapidamente a Hello Games perdesse toda a credibilidade e fosse forçada a lançar vários patchs de correção (coisa que até hoje, mais de 1 ano após o lançamento, anda muito lentamente). Esperamos muito que as pessoas que tinham como único motivo de viver o NMS, estejam vivas ainda.
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| As criaturas encontradas no game definem o meme "expectativa x realidade" |
3. Assassins Creed Unity
Nem mesmo franquias aclamadas conseguem fugir do problema de prometer e prometer, e no fim, entregar um resultado bem abaixo do esperado. A galinha de ovos dourados da Ubisoft, Assassins Creed, passou a sair em um formato anual, o que rendeu uma menor evolução entre um jogo e outro, além de um péssimo efeito de repetitividade. Foi com isso que, na transição de geração de consoles, AC decidiu adentrar com uma proposta diferente: Gráficos e engine reformulados, além de um combate mais difícil, junto com possibilidades Coop na campanha principal. Trailers de tirar o fôlego mostrando toda a temática da revolução francesa colocaram a espera do game lá em cima. Em novembro de 2014, AC: Unity veio para PC, Playstation 4 e Xbox One, e então iniciaram-se os problemas.
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| O cenário prometido e entregado era realmente lindo |
Gráficos bonitos, mas bugados, que criaram memes na época por causa de texturas que sumiam e deixavam os personagens com aparências grotescas, além de ser extremamente pesado mesmo em hardwares potentes. A tentativa de um combate mais realista e desafiador rendeu um gameplay travado e problemático, junto com uma horrível conectividade que destruía a experiencia online. Com uma avaliação ruim por parte da crítica especializada, a tentativa da Ubisoft em estrear um AC para a nova geração foi um fiasco. Felizmente, após um bom tempo, atualizações conseguiram corrigir parte dos erros, e atualmente, é legal passear pelo cenário francês.
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| Mas algumas coisas não estavam tão belas assim |
4. Call of Duty: Ghosts
Outra franquia que mesmo tendo um nome de peso, sucumbiu ao material promocional enganoso foi Call of Duty. Desenvolvido pela Activision, em nome do lucro, COD também se rendeu ao formato anual. E assim como o jogo da Ubisoft, o lançamento frequente de novos título para a franquia criou problemas de repetividade, e então foi hora de lançar algo diferente, para os novos consoles: Ghosts chegara no final de 2013 para PC, PS3, Xbox 360, PS4, Xbox One e Wii U.
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| A intenção de um novo CoD reformulado e sombrio era a expectativa para Ghosts |
Com uma cronologia alternativa, COD: Ghosts trouxe uma fórmula repetitiva, truncada, e com gráficos extremamente defasados para época, além de, mais uma vez, problemas de conectividade arruinarem a experiencia online (que deveria é o ponto principal da franquia). A campanha recebeu memes e críticas por causa do protagonista e seu fiel companheiro: um cachorro que consegue derrubar helicópteros. Ghosts recebeu uma média razoável na crítica, mas foi rapidamente esquecido pelo público.
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| Mais do mesmo, e nada de "nova geração" |
5. For Honor
A Ubisoft tem um péssimo histórico de estragar games que no papel seriam perfeitos. E outra vítima foi For Honor. Os 3 maiores exércitos da antiguidade: Cavaleiros, samurais, e Vikings. Todos os 3 travando batalhas entre si, através de um estilo de combate criado especialmente para o game, que permitia competitividade e uma curva de aprendizado imensa. Você encarnava perfeitamente em seu personagem e dali em diante, era só glória e honra. Foi criado um menor hype para evitar problemas como Watch Dogs, mas mesmo assim, por causa da premissa incrível, era inevitável que a legião de fãs aguardassem ansiosamente o lançamento. Como poderia dar errado?
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| Vikings, cavaleiros, samurais... Grandes batalhas viriam, não é? |
For Honor chegou em fevereiro de 2017, após um beta conturbado, que já dava uma prévia do que viria a ser o ceifador do título: conectividade (sim, mais uma vez ela). De que adianta você ser um viking destemido que mata vários sozinho, se sua partida cai? Quedas, lags, fechamentos inesperados, erros bizarros e desestimulo da comunidade que causou um abandono em massa, deixando filas eternas para encontrar outros jogadores, For Honor morreu do mesmo jeito que seu beta: Vazio. Talvez a expectativa alta e pressão para um bom competitivo, fez com que o game fosse acabado ás pressas. Uma pena, meu samurai espera sozinho até hoje alguém para enfrentar.
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| Problemas de conexão eram frequentes |
É triste ver grandes jogos irem para o ralo seja por descuido, problemas técnicos, ou desgosto dos fãs por não encontrarem o que imaginavam. Mas felizmente, cada erro é algo para as grandes publishers aprenderem, e tentarem não repetir, como foi com Watch Dogs 2: pouco hype, muito jogo. Aprendemos também a esperar o lançamento e ver as avaliações antes de partir para a compra, pois quem sofre mais com isso tudo é o nosso bolso.
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